Ferrovia em Embu-Guaçu: quase um século de passagem e nenhum retorno para a cidade.

Atravessando Embu-Guaçu há quase 100 anos, a ferrovia operada atualmente pela empresa Rumo Logística (antiga ALL) segue como uma presença constante — e controversa — no cotidiano dos moradores. Transportando diariamente toneladas de produtos minerais e agropecuários rumo ao porto de Santos, a ferrovia movimenta a economia nacional, mas não deixa nenhuma contrapartida para o município.

Apesar da longa história e do impacto direto no trânsito e na segurança da cidade, Embu-Guaçu continua à margem dos benefícios gerados por essa atividade. O trem frequentemente interrompe o ir e vir de motoristas e pedestres, principalmente nos horários de pico, gerando transtornos e atrasos para quem depende das vias urbanas. O tempo em que os vagões ficam parados nos cruzamentos, por vezes por mais de 20 minutos, prejudica tanto a rotina da população quanto a logística da própria empresa.

Nas últimas décadas, foram registradas diversas ocorrências envolvendo acidentes na linha férrea — alguns com vítimas fatais. A falta de sinalização adequada, a ausência de passagens seguras e a negligência histórica com o impacto social da ferrovia aumentam os riscos diários enfrentados pelos munícipes.

A empresa Rumo realizou recentemente a construção de dois pontilhões: um próximo ao Mercado Econômico e outro nas imediações da CESP, além de uma passarela no bairro do Filipinho. Estão programadas ainda a construção de mais dois pontilhões, nos bairros Jardim Brasil e Cipó.

Entretanto, é importante ressaltar: essas obras não são realizadas por amor à cidade ou preocupação com a população. São, na prática, soluções operacionais que visam minimizar os próprios prejuízos da empresa, já que os atrasos gerados pelo congestionamento urbano impactam diretamente suas operações logísticas. A ausência de diálogo direto com a população e a falta de investimentos públicos ou sociais por parte da concessionária alimentam o sentimento de abandono. Embu-Guaçu permanece como mera rota de passagem — sem voz e sem retorno.

Diante de uma ferrovia que corta a cidade há quase um século, fica o questionamento: até quando Embu-Guaçu servirá apenas de trilho para o lucro alheio?

Jornal Regional

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